| O turismo, que agrega a cultura local, nunca foi tão valorizado como agora. Assim tem de continuar. Mogi, por tanto tempo conhecida como cidada dormitório na Grande São Paulo, ou reduto de universitários, tem muito para mostrar. Uma das principais iniciativas da Prefeitura de Mogi das Cruzes para estimular o turismo local chega ao fim nos próximos dias com a promessa de aquecer o público nesse friozinho que vai e volta e resgatar o gosto pela boa música com as apresentações do Festival de Inverno Serra do Itapeti, agora com atrações na praça Oswaldo Cruz e no Teatro Vasques. Pela receptividade e presença da plateia nas outras duas etapas, em Taiaúpeba e em Sabaúna, com estimativa de 12 mil participantes, o festival tem tudo para entrar para a história e, principalmente, para o calendário de eventos do município. É a prova de que não é preciso ir longe para ter cultura e lazer num mesmo espaço, numa mesma cidade, de forma tão acessível, rica e calorosa. Coisas daqui têm valor, e muito. É preciso que se reconheça isso. Porém, com tantas riquezas por esse Brasilzão afora, ainda assim os brasileiros estão viajando cada vez mais para o exterior. É o que revela um levantamento divulgado nesta semana pelo Banco Central. Em junho, mês que antecede as tradicionais férias, o gasto de turistas brasileiros com viagens internacionais superou em US$ 908,7 milhões a receita obtida com estrangeiros que visitaram, no mesmo período, o Brasil. Fatores como o aumento do emprego e renda, assim como o bom desempenho da economia, que mantém a estabilidade, têm proporcionado às famílias mais condições de passear por outros países. A maior oferta de pacotes internacionais, com pagamentos mais do que facilitados, também funciona como mola propulsora do turismo no exterior. Além do que há ainda a cultura de que "é chique" ir para fora do Brasil. O dinheiro que vai para fora bem que poderia incrementar a economia nacional. Eis o maior desafio do setor. Como convencer o brasileiro a viajar mais por aqui? O Ministério do Turismo bem que tem feito campanhas nesse sentido. Peças publicitárias nos meios de comunicação de massa, como a televisã, por exemplo, também tentam chamar a atenção para as potencialidades brasileiras, espalhadas por todos os cantos do País, para todos os gostos. Para os municípios, então, esse desafio é ainda maior. No caso de Mogi das Cruzes, a Prefeitura tem acertado em promover iniciativas que possam atrair os turistas de um dia. Há três bons exemplos: o Festival de Inverno Serra do Itapeti, realizado de forma pioneira, os passeios por meio do Trem Turístico, que parte de São Paulo para cá aos domingos, e o city tour destinado especificamente aos mogianos, para que estes possam, enfim, conhecer sua própria cidade e, quem sabe, "vendê-la" aos futuros e novos visitantes. O city tour criado pela Prefeitura tem o objetivo e apresentar Mogi para gente que vive aqui, mas, sabe-se lá por quais motivos, não conhece praticamente nada da cidade. Um ônibus especial para o passeio leva os interessados a pontos turísticos por meio de quatro roteiros. O prefeito, segundo informações da administração municipal, tem sido o de ecoturismo. Custa baratinho: R$ 5 para uma pessoa e R$ 2,50 para as outras três que estiverem como acompanhantes. Os visitantes conhecem ao Parque Centenário, o Parque Municipal e a Ilha Marabá. São duas horas, em média, de visitas. Os outros três roteiros, com menor procura, compreendem: visitação ao Museu Guiomar Pinheiro Franco, ao Centro de Cultura e Memória dos Expedicionários Mogianos e ao Teatro Municipal, no que se constitui como trajeto cultural; visita ao Orquidário Oriental, no Itapeti, Cocuera, Biritiba Ussu, Taiaçupeba, Quatinga e o Núcleo Colonial de Sabaúna, no roteiro rural; e ainda as igrejas do Socorro, de São Benedito, do Carmo e a Mesquita de Mogi, como passeio religioso. Há a intenção da Prefeitura de ampliar o programa. Todas essas iniciativas não existiam dois anos atrás. De fato, o turismo, que agrega a cultura local, nunca foi tão valorizado como agora. E assim tem de continuar. Mogi, por tanto tempo conhecida como cidada dormitório na Grande São Paulo, ou reduto de universitários, tem muito mais para mostrar. É só manter as portas abertas aos turistas que eles virão e nos prestigiarão. |