
Sinopse
Vianninha coloca em cena um pequeno time de futebol do interior, o Chapetuba Futebol Clube, que traz seus jogadores hospedados numa pequena pensão onde ficam concentrados antes dos jogos e convivendo juntos. Chapetuba faz parte da segunda divisão de profissionais e anseia subir para a primeira divisão. Às vésperas da partida decisiva, onde jogará com o adversário Saboeiro, surgem indícios de negociação e manipulação do resultado e um verdadeiro turbilhão de acontecimentos.
O goleiro titular está contundido e seu reserva é inexperiente; Um jornalista penetra na pensão onde os jogadores se concentram, aguçando corrupção para favorecer o resultado para Saboeiro; o craque da equipe deseja reviver seus dias de glória em um grande clube; a mulher de um dos zagueiros está prestes a parir; A rádio local, para manter-se no ar, tem o apoio financeiro do pai de um dos jogadores, desde que na transmissão dos jogos evidencie seu filho como o melhor jogador de Chapetuba e por aí vai.
Em meio a esse turbilhão de sentimentos e interesses, o sonho coletivo parece desmanchar-se em função de benefícios individuais, mostrando diferenças de caráter diante de certas circunstâncias. De um lado, um jogador extremamente sonhador, ingênuo, que acredita na bondade do ser humano acima de qualquer suspeita, que acredita na vitória, sem sombras de dúvida; de outro, um goleiro extremamente experiente e mais velho, endividado, cansado, que se vende no último momento fingindo mais uma contusão.
Seja trazendo o dia a dia desses jogadores que esperam vencer uma partida, dividindo suas alegrias, dramas, expectativas, sonhos, enfim, ou mostrando o que tem por baixo de tudo, com traições, jogos de interesse, manipulações, etc, o espetáculo vai dissecando o universo humano em todas as suas minúcias, com textos rápidos, frases marcantes, montado sobre estruturas de um teatro circular, no formato de arena, muito próximo ao público, tendo com base de proposta de encenação e trabalho de interpretação, o realismo.
“...O futebol, paixão nacional, torna-se o símbolo de um ideal de comunidade. Sua prática seria a vida cidadã, exercida com consciência, fruída com alegria, buscada como necessidade vital. (...) Mas o futebol, paixão nacional, é, na verdade, o símbolo da disputa desenfreada por um lugar ao sol, a desesperada batalha pela sobrevivência, o trincar dos dentes dos interesses menores, em resumo, o retrato de um mundo desunido, egoísta, covarde, traiçoeiro e decadente”, escreveu José Renato no programa da montagem atual.
